PEQUENOS AGRICULTORES SÃO VADIOS

ESSAS SÃO AS PESSOAS DE BEM?

Edu Laudi Pascoski

A SOLUÇÃO PARA ELE É

TIRAR O LOTE DOS PEQUENOS

E PASSAR PARA GRANDES?

PROCESSO POR DANOS

MORAIS MOVIDO POR

PEQUENOS PRODUTORES.

Por que os programas de aquisição de alimentos não funcionam em Lucas do Rio Verde?

Na visão de Edu Laudi Pascoski, Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, a primeira grande dificuldade decorre das qualidades individuais dos agricultores familiares. Desorganizados, preguiçosos e vadios, eles não teriam disposição para a vida dura do produtor agrícola:

“Falta organização deles. Nós estamos ajudando, mas tudo pra eles tá ruim. Eles só sabem reclamar e o culpado é sempre a prefeitura. Mas eu entendo que tem muito vadio no meio, muito preguiçoso. Preguiça. Tem a terra, mas tem preguiça de produzir. Aí não paga nem o lote, aí não consegue pagar.”

Perguntado se a Prefeitura fornece assistência técnica aos assentados, o Secretário explica:

“Eu tenho uma engenheira agrônoma aqui, e tenho a Empaer (Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso), que está aqui dentro da Prefeitura, com um técnico. A técnica visita todos. Só que, sabe o que eles querem que os técnicos façam? Peguem a enxada, cavem e plantem pra eles. A maioria quer isso. Aí não posso disponibilizar os meus técnicos da Secretaria pra fazer a produção pra eles.”

Outra razão, ainda segundo Edu, está ligada a problemas de operacionalização dos programas, que dificultariam sua aplicação.

“Eu já pedi pro pessoal do Ministério da Educação da merenda escolar que esteve aqui. Como é difícil essa lei que tem no Brasil pra merenda escolar. Só pode vender 8 mil, 9 mil por ano por CPF. Eu falei pra moça do Ministério da Educação: manda a Presidente Dilma baixar um decreto para o cara poder vender 20, 30 mil por ano pra merenda escolar. E agora tem uma burocracia da lei que só pode comprar de associação e empresa. Nem com CPF pode comprar mais. Você tem que ter licitação pra comprar estes produtos.”

“Nós temos a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o Tribunal de Contas fiscaliza, a Câmara de Vereadores e o governo fiscalizam. Quando você vai prestar contas lá que você comprou de CPF, o Tribunal faz apontamento. Tem que ter uma associação de produtores, com CNPJ. Mas eles não se organizam, brigam entre eles, não têm união. Têm uma associação lá, Associação de Produtores do Trinta de Novembro. Sabe quantos são filiados lá, de 30 famílias? Seis ou sete.”

A visão dos agricultores familiares

Conforme nos conta Nilfo Wandscheerr, também membro da Associação Trinta de Novembro, são dezessete as famílias filiadas à Associação dos Produtores. Elas trabalham juntas e produzem diversos alimentos agrícolas como frutas, legumes, verduras e leite. A criação da Associação é apenas um capítulo da luta dos agricultores para viabilizar a produção e comercialização dos alimentos por eles produzidos.

A situação deste conjunto de pequenas chácaras de pouco mais de dois hectares cada uma, adquiridas através do Programa Nacional de Crédito Fundiário, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, é bem melhor do que a da média dos agricultores familiares do estado do Mato Grosso. Há também em Lucas o assentamento Quatá, com 30 famílias, implantado através desta mesma modalidade de crédito.

Alguns exemplos do que vimos em Lucas do Rio Verde, no entanto, espelham bem a visão dos governantes locais de que a produção de alimentos deve estar hoje nas mãos de grandes produtores rurais ou empresários da agroindústria. O Secretário de Agricultura e Meio Ambiente utiliza como exemplo a produção de hortifrutigranjeiros:

“Falta é vontade dos pequenos para colocar no mercado. Mas já tem alguns empresários aqui que compraram pequenas áreas e estão produzindo, como é o caso da alface hidropônica. O cara é um grande produtor e distribuidor. Entrega dois mil pés por dia à BRF, entrega em todos os mercados, desde Nova Mutum até Alta Floresta. O mercado consumidor aqui é muito grande, mas nós não temos empresários como nas regiões de São Paulo e Curitiba. Tem muitos já produzindo, você vai lá no Trinta de Novembro ver, é um espetáculo. Só que é em pequena escala. Cada lote só tem dois hectares, e nosso raio de ação na região tem 400 mil habitantes.”

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgkqMAB/dois-casos-serios-agrocombustiveis-formad?part=2

 

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