Menina esquecida no carro – 2

PARA QUE TODOS ENTENDAMOS:

DOLO – VONTADE DE COMETER

CULPA – COMETER MESMO QUE SEM INTENÇÃO.

NESSE CASO DA PROFESSORA QUE ESQUECEU

A CRIANÇA NO CARRO:

HOUVE A CULPA E NÃO O DOLO.

meninacarro

ASSUMIU UMA RESPONSABILIDADE, PARA AJUDAR.

NÃO TEVE A INTENÇÃO DE ESQUECER A CRIANÇA,

FOI NO CONHECIDO: BREVE MOMENTO DE BOBEIRA.

MAS ACONTECEU.

UMA VIDA, DE UMA LINDA MENINA, FOI PERDIDA.

MAS NÃO DEVERÁ TER CONDENAÇÃO PENAL.

A PRÓPRIA VIDA TRATARÁ DE PUNIR.

VAMOS ALÉM:

QUANDO O JUIZ EMITIU O HABEAS CORPUS PARA

SANTO MARTINELLO, ELE TINHA O DOLO DE

DEIXAR O ACUSADO FUGIR?

QUEREMOS CRER QUE NÃO, MAS ELE TEM A CULPA,

QUE CAUSOU A REVOLTA E DOR NA FAMÍLIA DE ALEXIA.

santomartinello

QUANDO DEIXARAM OS PROCESSOS DE IMPROBIDADE

ADMINISTRATIVA CONTRA OS POLÍTICOS DE

LUCAS DO RIO VERDE PRESCREVER, HOUVE DOLO?

QUEREMOS CRER QUE NÃO, MAS HOUVE A CULPA,

QUE CAUSOU A IMPUNIDADE E A CONTINUAÇÃO

DAS PRÁTICAS DE CORRUPÇÃO.

denunciaprefeitura

QUANDO UM JUIZ RETIROU AS CRIANÇAS DO PAI, EX-MARIDO

DA SERVIDORA ASSASSINADA NA PREFEITURA E QUE

ATÉ AGORA, 5 MESES DEPOIS, NÃO CONSEGUIU OS VER.

HOUVE DOLO? NA PRIMEIRA DECISÃO, TALVEZ NÃO.

MAS 5 MESES DEPOIS, QUANDO NENHUMA PROVA DE

PARTICIPAÇÃO DO PAI NO CRIME, HÁ DOLO EM NÃO

DEVOLVER OS FILHOS? TALVEZ, MAS COM CERTEZA

HÁ A CULPA.

sofrimento

COMPARAMOS A DOR DA MÃE QUE PERDEU

PERDEU A FILHA, COM A DO PAI, QUE CRIOU E CUIDOU,

E ESTÁ 5 MESES SEM VER OS SEUS FILHOS.

AS DORES SÃO PARECIDAS, O DOLO E A CULPA NÃO.

NO CASO DA MENINA ESQUECIDA NO CARRO,

COM CERTEZA NÃO HOUVE O DOLO E NÃO HÁ MAIS

COMO RECUPERAR OS DANOS.

NO OUTRO, MANTER O PAI SEM AS CRIANÇAS,

MESMO SEM NENHUM INDÍCIO DE MAUS TRATOS

E DE PARTICIPAÇÃO NO CRIME, HÁ DOLO E CULPA.

E AINDA DÁ TEMPO DE REVERTER.

forumlucasdorioverde ministeriopublico 

QUEM DEVEMOS REALMENTE PRENDER?

COM CERTEZA NÃO É A PROFESSORA, QUE CARREGARÁ A

CULPA PELOS SEUS ERROS, MUDOU DE ESTADO, MAS NUNCA

TERÁ PAZ COMPLETA.

SÓ RESTA, PORTANTO,

DEUS PARA CONFORTAR

A TODOS.

O atual enquadramento do dolo

e a culpa no Direito Penal

Não é de hoje que o dolo e a culpa ocupam um papel fundamental no direito penal, ao longo da história criminal a localização desses elementos ora era visto como parte da culpabilidade ora como integrante da tipicidade.

O dolo está previsto no nosso ordenamento jurídico pelo art. 18, I do CP e é o querer do individuo ocorrendo sempre que o agente possuir vontade e consciência na realização dos elementos que constituem o Tipo Legal, ou seja, a conduta.  No dizer de Zaffaroni, “dolo é uma vontade determinada que, como qualquer vontade, pressupõe um conhecimento determinado”[1].  O art. 18, II do CP prevê a culpa, sendo esta vista como um agir por conta de imprudência, negligencia ou imperícia, ou seja, a culpa é um agir desatencioso ou descuidado.

Para a Teoria Causalista o dolo é a vontade e a consciência livre que o agente possui em atingir um determinado resultado ilícito ou antijurídico, tendo como requisito a consciência da ação e do resultado, a consciência do nexo de causalidade, consciência da ilicitude do fato, vontade de realizar a ação ilícita e produzir o resultado antijurídico.

Para esta mesma teoria a culpa é a realização de uma conduta sem o devido cuidado que acaba por produzir um resultado antijurídico que não foi em nenhum momento desejado e nem previsto pelo agente descuidado.

A Teoria Causalista posiciona o dolo e a culpa como sendo integrante da culpabilidade e sua inexistência leva a eliminação da culpabilidade.

Para a Teoria Finalista o dolo é consciência e vontade de realizar os requisitos objetivos do tipo, sendo requisitos do dolo a consciência da realização da conduta e do resultado, a consciência do nexo causal, a vontade de realizar a conduta ilícita e produzir o resultado. A culpa é a inobservância do cuidado objetivo que se tem, essa inobservância é exteriorizada numa conduta descuidosa ou desatenciosa o que produz um resultado naturalístico que é previsível.

Essa teoria diz que o dolo e a culpa pertencem a conduta, assim, afirmam que integram a Tipicidade, ou melhor, o Fato Típico.

Já a Teoria Constitucionalista do delito tem o dolo como sendo a consciência e a vontade concretizadas pelo autor, o que denota aqui que o autor tinha a consciência que estava criando o risco com a sua conduta, mas mesmo  assim  buscava ou desejava produzir lesão ou perigo concreto a um determinado bem jurídico. São requisitos do dolo a consciência dos requisitos do Tipo, a consciência do risco criado com a conduta realizada, a consciência do resultado jurídico, seja lesão ou perigo, vontade de realizar os requisitos objetivos do tipo que levam ao resultado jurídico que fora desejado.

A culpa aqui é a realização de uma conduta voluntariamente criada por um risco proibido que seja relevante e que possua previsibilidade. Portanto, pertencem, o dolo e a culpa a Tipicidade.

Mas onde se encontraria o dolo e a culpa, na Culpabilidade ou na Tipicidade? Existem algumas divergências, entretanto, coaduno a teoria constitucionalista do delito, da qual direciona o dolo e a culpa para a Tipicidade.

A culpabilidade teve seu conceito desenvolvido em meados do século XIX, pela doutrina européia. Atualmente define-se como sendo a possibilidade de se considerar alguém, ou melhor, um determinado agente responsável pela prática de uma infração penal, ou seja, que cometeu um fato típico, antijurídico e culpável, quando podia e podendo ter se motivado e agido conforme o direito, não agiu. Através do próprio conceito de culpabilidade verificamos que não há espaço para verificar a intenção do agente que cometeu o delito, pois o que é analisado é o agente visto sob o ângulo da sociedade, no qual recai um juízo de reprovabilidade.

O profº Luiz Flavio Gomes (cursos de Direito LFG) de forma brilhante escreveu que: “A culpabilidade no âmbito do crime culposo não é distinta da culpabilidade no crime doloso. Nada há de diferente, mesmo porque, como salientamos, por força da teoria da individualização da capacidade do agente, a capacidade de atuação pessoal do agente deve ser levada em conta já no momento da própria tipicidade (leia-se:no momento da aferição do resultado previsível ou mesmo do risco proibido relevante)”.[2]

Por sua vez a Tipicidade é uma adequação ao fato típico, Nucci define como sendo “a adequação do fato ao tipo penal, ou, em outras palavras, é o fenômeno representado pela confluência dos tipos concretos (fato do mundo real) e abstratos (fato do Mundo abstrato)” [3], contém a conduta, o resultado, o nexo causal e a tipicidade com o dolo e a culpa.

Pelo exposto, fica compreendido que tanto a culpa quando o dolo estão localizados na Tipicidade, onde deveram ser analisados.

http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=5745

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